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16/01/2011

Essence

What is this game they play? Are they playing with or against each other? Sometimes it seems more clear, as if one of them has the higher ground. But only for a second. They never try for the goal, as if each one could tell, with a simple look, that the other two would inevitably block their path. Sometimes it looks like a dance. Sometimes it's a fight; a war actualy, bigger than any single war. Sometimes the ball appears to become the world . Sometimes it becomes a human head; then my head; then it transforms into the heads of every single person in the world , every second, always coming back to mine, and starting all over again. When have I started playing? I stepped on the court out of pure amusement, they looked at me just once. Who's with me? Who's against me? One thing I know, it's the most important game in the world. The only one.

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Who are you?

We're three.

We're one.

We're human.

We're not.

We're essence.

Are we?

We're the essence of an idea.

Are we?

We're the idea of essence itself.

Are we?

We're all.

We're as human as we are rock, leaf, water or fire.

If we don't exist as three, light and darkness cannot exist as two.

For we are us, but we are also you.

Never.

You play with peoples lifes.

You laugh at peoples feelings.

And don't you also?

No

No?

Remember child, we do play, and we do laugh, but we also mourn and cry at the death and suffering of every one of you.

Every one of us.

And everyone in between.

Don't we?

01/04/2010

Trilha Sonora - Fiction

Em algum momento tive a idéia de fazer uma trilha sonora pra ser ouvida junto com as edições da minha história em quadrinhos. Algo como uma música de fundo pra leitura de cada uma. Surgiram alguns estudos, então postei no youtube, junto com algumas imagens, idéias, nada muito pronto.





Espero conseguir levar isso pra frente, as idéias são tantas.

14/03/2010

Ensaio de um Reflexão Exagerada

E o sistema de ensino? Cenário de ficção científica. Pretende-se padronizar as mentes que passam pelas escolas. Os filhos da elite têm suas cabeças diariamente bombardeadas por conteúdo do mais diverso, fora de contexto e potencialmente inútil. “Hoje não se vive sem saber um pouco de tudo. São outros tempos.” É o discurso de uma “self-important” classe social que repudia todo tipo de trabalho físico. Já as escolas públicas são mantidas num nível mínimo. “Se tomam gosto por pensar, quem é que vai trabalhar nesse país?”, disse o ministro da educação, numa de suas esporádicas visitas ao seu gabinete.

“It's our own brave new world”, diz o poeta, mas as palavras se perdem na cacofonia de uma esquina movimentada. Somos sim, numerados, registrados e controlados por toda nossa vida. Ou pelo menos é o que se espera de nós; nada mais. E a que preço?

Do lado de cá, um batalhão de adolescentes desconfortáveis dentro de uma sala de aula, que nunca chegam a saber o que realmente se espera deles. (Quão absurdo é querer padronizar o processo de aprendizado de um mecanismo tão complexo quanto o cérebro humano? Resultado de um mundo regido por burocratas: é a era do gerenciamento de pessoas. Gerenciamento de pessoas, há!, melhor fechar os parenteses). Desde cedo diagnosticamos crianças com “déficit de atenção”. Os pais se preocupam, “Imagine se ele tem que virar lixeiro”. Aulas de reforço, horas de estudo, psicológos, remédios (?!?!), e não se acha o suposto problema. “O garoto não quer saber de estudar”, “Tudo bem querida, a gente paga o diploma e eu coloco ele pra fazer algo na empresa”.

Do lado de lá, dessa tênue linha imaginária que a nós parece uma muralha, milhões de mentes humanas artificialmente isoladas dum tal “mundo intelectual”. Quantos pensadores brilhantes em potencial passam a vida trabalhando como semi-escravos no imenso interior desse país? Ou morrem de fome numa favela do outro lado da cidade?

E se o drama lá é concreto, palpável, aqui é psicológico. Ousaria dizer “real” e “imaginário”? Acho que não chego a tanto. Parece que tomamos verdadeiro nojo do mundo a nossa volta, até nossos momentos mais desesperadores decorrem de nossas reflexões, “all in our heads”. O que acontece quando nos deparamos com desafios físicos reais e inevitáveis? Quando somos forçados pra fora da apatia, sem possibilidade de mergulharmos de volta no ópio intelectual de nosso tempo? Can we take it? Can I?

31/01/2010

África - um projeto de HQ

Algumas coisas na vida vêm como um soco na cara. Idéias que se formam com um estouro, e após um breve momento de intenso envolvimento, tomam a mente por inteiro. Qualquer idéia que se queira por no lugar acaba por levar de volta àquela, em não mais que dois ou três saltos. Tudo a sua volta parece gritar a mesma coisa. Naturalmente, costuma se tratar de algo que contradiz a rotina, a apatia mecânica. Do fundo da garganta, a idéia parece gritar, a cada fração de segundo, pela mudança, pela ação, em resposta à reconfortante inércia do cotidiano. No momento, me parece que é mudar ou enlouquecer.

E que em tempos tão modernos, vivam homens tão à margem da civilização, que são quase bichos. Um mundo em que uma criança de cinco anos tem maior capacidade de comunicar-se que um homem adulto do outro lado do mundo. Como aceitar tamanha exclusão? Como continuar buscando cegamente, e a toda velocidade, o dito progresso, se esse não é para todos?


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Todo ano os homens da tribo saíam numa grande expedição de caça. Caminhavam grandes distâncias, dando a volta por um desfiladeiro, até alcançar o ponto onde era possível atravessar o rio. No caminho, os homens cantavam e conversavam, e riam entre si, num passo lento e relaxado. Depois da temporada de caça, os homens voltavam pelo mesmo caminho. E caminhando sem pressa cantavam e riam ainda mais, porque a caça tinha sido boa, e logo veriam novamente as mulheres e os filhos, e dormiriam tranqüilos e em segurança. A viagem toda levava trinta dias e trinta noites, ano após ano.
E se diz que certa vez um engenheiro inglês, que trazia no rosto o mesmo sorriso com o qual você me conta de seus planos, passou um tempo na tribo, buscando uma maneira de utilizar seus conhecimentos modernos para melhorar a vida daquelas pessoas. Quando contaram-lhe da expedição, achou que tinha encontrado a oportunidade perfeita. Mostrou ao chefe da tribo que era possível construir uma ponte por cima do desfiladeiro, facilitando a travessia do rio. Com a tal ponte, a viagem inteira poderia ser feita num total de sete dias. O chefe refletiu por alguns segundos, e um pouco confuso pergunt-- Acho que é o seu trem.

O que foi que ele disse?

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E eu sei, como sabe uma enciclopédia, que as células da árvore se multiplicam por mitose, e que as chuvas são causadas pelas diferenças de pressão e temperatura na atmosfera. Ele sabe que uma semente vira árvore, e sabe que chove.


Com que palavras será que pensa? Quais suas conclusões? Como pode chegar a alguma conclusão sem palavras? Talvez não busque desfecho algum a suas reflexões. Talvez. Parece tão calmo. Como se não sentisse a chuva. Mas está claro que pensa, como penso eu. Como eu? Às vezes me toma a idéia de que é ele que pensa, enquanto eu me demoro a juntar palavras, a tirar sentidos e elaborar conclusões coerentes. E quando abre os olhos e me olha, como pode ser tão honesto? São os olhos de alguém que vê outro alguém sem se preocupar em buscar os adjetivos corretos. É tão claro, tão fácil, tão natural. E sorri, como se soubesse que não lhe quero mal, e isso lhe basta.



Que as letras não fazem o homem. Que talvez, o homem já se tenha esquecido do que é que lhe faz homem, hipnotizado pela sombra de suas maravilhosas criações. Esquece-se que o que cria não faz parte de si, faz parte do todo, como fez a lança, a flecha, a roda e a música. Já não são do homem, são do mundo. O que há de realmente incrível num homem de letras, num homem de números, é algo que já quase não se nota. Se acredita que tais feitos intelectuais sejam de certo modo superiores a outras habilidades não tão respeitadas, quando, no fundo, a mesma coisa que me faz somar números, permite ao selvagem superar a onça. Que a sobrevivência do homem é tão impressionante numa metrópole moderna quanto nas planícies africanas. Que a civilização pode ter-se construído sobre a língua e sobre certos códigos morais, mas que o homem já era homem antes de qualquer dos dois. E que não cabe a mim trazer minhas ilusões modernas a esse homem; em verdade acabaria por tomar mais do que daria. Talvez descobrisse o que é que me faz homem, algo que ele nunca chegou a esquecer, mesmo sem nunca ter sabido.

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E se diz que certa vez um engenheiro inglês passou um tempo na tribo. Quando contaram-lhe da expedição, mostrou ao chefe da tribo que era possível construir uma ponte por cima do desfiladeiro, facilitando a travessia do rio. Com a tal ponte, a viagem inteira poderia ser feita num total de sete dias. O chefe refletiu por alguns segundos, e um pouco confuso perguntou 'E o que é que a gente faria com o os outros dias todos?'
E naquele ano o engenheiro acompanhou os homens durante a temporada de caça. E por trinta dias e trinta noites caminhou e sorriu e cantou. E ao chegar na tribo todos dançaram e beberam, e o inglês, embriagado, entendeu uma coisa importante, e dormiu tranqüilo.

PianoCubista

Os cômodos lhe eram imensos e incompreensíveis, e os móveis antigos lançavam, com as últimas luzes do dia, longas sombras no chão de madeira, que davam à vida, por alguns instantes, uma certa idéia de eternidade. Logo descobriu que a casa era – ou podia ser, se assim o quisesse – a morada de todos os sonhos possíveis. E, de fato, assim o quis por muito tempo.

Habitavam as chaminés um sem número de seres multiformes, cuja natureza variava incessantemente, não apenas de um para o outro, mas também de hoje para amanhã.


Durante os primeiros anos não freqüentou a escola, por decisão de sua tia – que passava os dias, desde a morte de seu marido, a ler e escrever, sempre em cantos diferentes da casa ou do grande terreno. Não escaparia à atenção do infante, tão meticulosa quanto aleatória, a excentricidade dos incontáveis episódios envolvendo essa única figura adulta – também único exemplo humano – do seu cotidiano. Não que crianças se incomodem com excentricidades, ou sequer que as chamem assim, uma vez que as palavras costumam vir com o tempo; mas houve, desde sempre, uma relação de mútua curiosidade entre os dois habitantes da casa. Cada qual tão interessado em seus próprios devaneios quanto nos do outro. É bem capaz que a relação de igualdade que se formou naquele refúgio bucólico tenha sido o primeiro acorde da extravagante sinfonia que viria a ser sua vida: e como primeiro, foi também o que lhe deu o tom.

Certa vez, deu de procurar por buracos de luz. A chaleira lhe havia dado indicações muito precisas, que acompanhadas de um mapa, invisível a quem não o quisesse ver, acabaram por levar-lhe ao armário debaixo da escada. Munido de um guarda-chuva verde limão que, como qualquer outra coisa, podia muito bem ter poderes mágicos, e com toda a cautela e sutilidade de que é capaz uma criança de uns tantos anos, abriu a porta, pouco maior que ele mesmo. Sem espanto, deu de cara com a tia, que lia à luz de uma lanterna um livro, a julgar pelo estado da capa, declaradamente velho. Contou-lhe de sua empreitada, e ela prometeu mostrar-lhe os buracos de luz. “Mas só quando estiverem com visibilidade perfeita.” explicou.
O menino perguntou o que lia, e já preparado ouviu-a recitar três estrofes, meio lidas meio decoradas – e, suspeitava, meio inventadas. Perdeu-se em palavras tão impressionantes quanto lhe eram compridas e complexas. Indagou por fim o que queriam dizer, ao que a tia respondeu que, no fundo, não queriam dizer nada. Fechado o livro, aprendeu, maravilhado, que a lanterna era de dupla utilidade: iluminava, para que se pudesse ler, e também impedia que o crocodilo, habitante daquele armário, viesse incomodar o leitor. Desprendeu da conversa o valioso conselho de que a lanterna era um item essencial para qualquer explorador precavido. Insistiu para que pudesse ficar com ela, e a tia consentiu.
A aquisição trouxe novos horizontes às suas peripécias, e, como toda criança que se depara com um repentino leque de possibilidades, pôs-se logo a traçar seus planos para um futuro recém descoberto. Sua primeira campanha teria como objetivo a minuciosa investigação de todos os enigmas, até então insolucionáveis, gerados pela escuridão, que, numa casa tão antiga, eram muitos – era até capaz que fossem infinitos, pensou, experimentando. Por um momento condenou sua missão ao fatídico destino das cruzadas impossíveis, mas a solução do impasse logo se fez clara. Fossem os enigmas, de fato, sem fim, a única linha de ação possível seria, evidentemente, responder ao infinito com outra infinidade. Infinidade essa que o intrigava já há algum tempo: passaria a tarefa a seus filhos, que transmitiriam o fardo a seus netos, e assim até o fim dos tempos – ou, como lhe pareceu mais interessante naquele momento, por toda a eternidade.
Perguntou, a ninguém em particular, se não seria inútil responder com fogo ao próprio fogo. Infinitos enigmas, a serem solucionados pelas infinitas gerações futuras; um empate; pior ainda, um empate que permaneceria em aberto por toda a eternidade, que já não lhe parecia mais tão interessante. Qual o sentido de uma tarefa, que não traz consigo a esperança de sua conclusão? Respondeu, também ao interlocutor indefinido, que era precisamente aí que estava seu grande trunfo: tornaria tradição que todos os seus herdeiros tivessem, no mínimo, dois filhos cada um, de forma que a família de investigadores não só seria infinita como o tempo, mas também seus números, a cada geração, cresceriam infinitamente. Os enigmas, por sua vez, representariam apenas o infinito constante. Essa linha de raciocínio lhe garantia uma vantagem de dois contra um.

Não se esqueceria dos largos degraus que levavam ao segundo andar, ou do crocodilo debaixo da escada.


Não foi sem uma certa melancolia que constatou que a chaminé era apenas uma chaminé. Inabitada. E que crocodilo nenhum morava debaixo da escada – ou, concedeu, se algum dia houve crocodilo, este já havia se mudado dali há algum tempo. A chaleira também não quis estender a conversa. Limitou-se a assobiar em cima do fogo, até que dela se fizesse o chá, e então calou.
Sabia, talvez não com palavras, que a casa, tal qual era durante os anos da infância, com todos os seus habitantes de sonhos, e todos os sonhos de seus habitantes, não havia cessado de existir, mas se transformado em cores, versos e melodias. Mas sabê-lo não tirava de seu peito – ou da parte de sua consciência que acreditava ser seu peito – o vazio que deixa o tempo, enquanto passa indiferente. Por um momento cogitou a possibilidade de trocar todos os seus versos, todas as melodias e harmonias, e todas as cores de todos os quadros que pintara, pela infância perdida, e seus olhos quiseram chorar. Entendeu por fim que a troca, além de inconcebível, era também insensata,