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30/11/2012

Pode um peixe?


Pode alguém chegar a si
sem antes ver-se adoecer
ou se perder pelo caminho?

Morrer de amor por meses, anos,
ou odiar
ao menos uma vez...

Pode um peixe de tamanho
viver assim pequenininho
e ter de ver crescer em si
tudo o que de sempre soube ser?

;

Algo faz o mundo,
e algo vem de nós,
pra tirar da vida um certo dom
de encher de brilho aqueles olhos de criança
ou de já velhos, frente ao leito
irmos dormir sem perceber…

15/04/2012

Aqui

Acostumei-me a estar aqui,
frente à porta cerrada da vida,
com a mão já na maçaneta,
e um suspiro de pura hesitação

Não fui tão feliz quanto alguns que conheço
Nem vivi certas belezas
que por vezes falseei em canto

Acostumei-me a viver assim,
um pouco à margem da vida
.
.
.

25/03/2012

Que se faz da tristeza?

Que se pode fazer?

Da vontade de apontar caminhos, de cantar futuros e iludir-se ainda mais,
que se faz?

Da vontade de amar, de ser amado,
de ter-se todo revelado e posto a nu
e de ouvir de volta em pranto aliviado:
"Eu entendo."

;

Será que lá do alto ela me enxerga?
Me vê como algo além desses meus versos?
Me enxerga em osso e carne fatigada, 
e em fio de choro ainda não chorado?

;

Que faço eu na rua,
a buscar em olhos cinzas de homens sós
na luz tão requentada a vida crua?

Existe algo além do passo surdo?
Existe um outro tempo,
um outro mundo?

Ou faz-nos crer apenas a vontade
de haver pra além do triste dia-a-dia
um mundo que não seja só saudade?

13/03/2012

A Cor e A Voz

No silêncio dessa escura imensidão
mora um bardo acorrentado aos próprios pés
Solitário caminhante ensimesmado
eterna presa e prisioneiro de seus passos

Ciente de tal bufa condição
cantarola às mágoas tristes do passado
a história de um pintor que renascido
reinventa as duras tintas de seus traços

Já o homem por detrás desse pincel
busca em cor o caminhante destemido
que o leve em tal viagem pralém mar
e encontre atrás do quadro algum sentido

O homem que caminha é o mesmo bardo
que canta sem saber onde se oculta
há tempo em si perdida, a força bruta
capaz de aliviar tão grande fardo

;

Cantar ao nada
é qual ouvir silêncio
Pintar o céu
do escuro e triste quarto
A força falta ao homem combalido
que sofre em versos sem qualquer sentido

Não há mais cor que encante
Nem verso em canto triste
que ilumine

Só há lá fora o mundo
a ser vivido

e os passos
dados sem qualquer certeza

09/03/2012

Antes de tudo, e de mais nada


Até aqui vimos muito pouco
Até que ali houve algum sucesso
Mas tudo sempre se esvai
e eu costumo ficar pelo caminho...

Só nos sobra o sono torpe,
sem sonhos,
e três tristes refeições ao dia:

A mesa posta sobre o anseio
traz abrigo a veias mortas

.
.
.

Pois que saiam de trás das portas
os momentos vazios da memória

Saiam todos!
Ao mar!
Ao vento!
Ao mundo!

Saiam todos antes que seja tarde!

;

Caso cheguemos mesmo ao fim
Prometa queimar os papéis assinados
e ignorar as escrituras
quais queiram passar como meu testamento.

Apenas deixo ao mundo
todo
o
tempo
que não me coube.

08/03/2012

Cuidado, mundo cão!


Fazia mais de mês que eu lhe dizia
Toda noite, todo dia
eu repetia:

Vai comprar tomate lá na feira
Vê se tu não cai que ta na beira

Passa em linha reta no sinal
Vermelho pra quem vem na transversal

Cuidado com o estranho ali na esquina
Onde não há o perigo se imagina

Ó lá que talvez faça frio mais tarde
Remédio bom nem sempre é o que arde

Te bota de joelho, reza a missa
E espera apodrecer a tua carniça

Gigante era o teu sonho de criança
Minguou e fez perder toda esperança

Agora dança,
sem nem saber da onde é que vem o som.

A música que toca não é você quem dá o tom.

24/02/2012

Afterplay

End of the scene,
each actor breaths deeply
and bows for the closing curtain
as the finished act slowly fades.

Don’t know if there’s life ahead
or just a different stage,
if there’s truth
or if truth’s on the roles we play.

Future’s a winding path,
always paved in hopes and fears.
Who knows, it might even end in tears...

The promised plot may be a sad one
as the imagined perfect love
ain’t granted to ever come

;

Hoping to find that punchline,
Before our time is done,
We walk,
for the sake of walking,
and dream,
cause without dreaming
we’d  be little
more than
sand

.
.
.

18/10/2011

Perco-me

E todas as coisas que me fazem viver,
vão aos poucos se tornando
aquilo que me mata.

Pareço vítima exemplar de nosso tempo,
incapaz de achar a vida,
em meio a toda ela.

Perco-me
em fios de possibilidade

;

28/09/2011

Nós

Tanto se fez
por tão pouco,
uns contra os outros,
que lá
de dentro da terra
já ouvia-se o pranto
do homem

;

Agimos como se enlouquecessemos
enquanto a cidade dissipava-nos todos
em massa
cinza
e
inércia

;

Mas um fio de sangue,
em mim, que seja,
ainda corre
e isso
muda
tudo

26/08/2011

Novelos

A grande novidade,
dessa última novela
é que a malvada sogra velha
(vilã maior de toda a trama)
acabou ela grande vencedora


"Como pode o mal vencer na novela das oito?"

Foi o grande assunto da semana

O establishment já afoito,
cobrou medidas pertinentes
e pra não terem que acabar com o diretor
famoso já no ramo das novelas
demitiu-se o estagiário
e fez-se o burburinho
dos jornais

Um colunista
concordava

O outro,
não

.
.
.

E as discussões intermináveis
de tão alheias ao povão
já se morriam pro passado
e os olhos todos se voltavam
pra história
da nova novela

:

a moça rica,
apaixonada pelo empregado do pai

o famoso estilista,
em fim de vida e sem herdeiros

a família classe média,
de alguma forma envolvida na trama


E uma galera lá do morro,

o ladrão,
que se dá mal

a boa moça,
que sonha em ser atriz

e um preto velho
que sempre diz:

"Pra você ver que pobre
também pode ser feliz"

20/08/2011

Até hoje, lá em casa

Calado da vida, fechado do
mundo
Cego, surdo e quase mudo

Desses que só põem a falar
quando há certeza
não terá resposta
pra escutar

É esperar
uma certeza que nunca se tem

;

E eu cansei de não fazer
por não saber

e de esperar
um tal momento certo pra dizer
porque ele
nunca
vem

;

Só sei que o que antes era peso
tenho feito em melodia
pra alegrar essa minha vida tardia
que eu bem queria
começasse
agora

Parando de ter
tido tudo

quebrando o
resto todo
que até
aqui
se foi guardando

de tralhas passadas
de portas fechadas

De pele morta
sobre ossos
frios

Tudo posto
a nú

;

Jaz aqui
um finado eu,
que não morreu
,
mas queria muito acreditar-se
renascido

11/06/2011

Not the time to understand

Diving, digging, passing by
Finding not much,
Asking why

Stop awhile
Just to breath
Ever deeper through the deep

All I hushly leave behind
Human droplets crystalized
Mines unmapped inside my mind
Form those maps to minds of mine

;

Not the time to understand
But to build with our own hands

06/04/2011

Lovely Lady From the Seas

Lovely lady from the seas,
Long I waited solid ground
Let's not hush to false conclusions
Bout this land that last I found

Every land is but ilusion
Strongholds, castles for the mind
Less than end, a mean to find
Uncharted ways to ride the seas

;

Conforme desço a vela mestra
evito olhar ao mar que chora
Um pranto mudo
Um canto pobre
Fardo nobre que esqueci

E calo um grito ao soberano,
a um tempo certo e conclusivo

Ignoro o drama, esqueço a dama
que enfim achei,
pensei que amei,
e então deixei de procurar

Hope someday you'll reach the shore
Hurts me leaving you afloat
If something wrong I did in life
Was keep you from my melting core

Came so close,
and yet so far

;

Loura aura matutina
Pinta um dia inesperado
No qual bebo embriagado
Da ironia do universo

Sorvo dúbio a minha sina
Fora d'água e ainda imerso

I may build bridges, alleys, homes
But first of all i'll set this port.
One last star to guide my heavens
Lighthouse kept in mind of you

If ever sick and wet you linger
Tired of falling through the storm
Know the truth of my intentions
Use this light
to set your north.

16/03/2011

Sacrilégio



Sacro altar dependurado
Louva um mar não velejado
Sóbria ultima parede
Já não volve quarto algum

Dançam frestas d'universo
Fictício, e sem você
Nas lacunas de um vazio
Emoldurado, por preencher

E um lâmpido indivíduo
Duvidoso a cogitar
Se existe outra maneira
Umoutra forma de se amar

Galerias coloridas
Telas, fotos, poesia
Faz-se todo facetado
Ama o novo a cada dia

Multiplicam-se os estilos
Perde, imberbe, a unidade
E abandona o exercício
De amar-se em raridade

;

Mas fica ainda essa parede
Cega e surda a me encarar
Olho tanto, e tao de perto
Que nao sei mais donde olhar

Exagero,
me acho e perco
Dando voltas sobre o tema

Dessa vida em Mi vivida
Restam notas
e um poema

Que querem dizer-me afinal
?

Purple

All my life I've tried to love
A painted love that's never been
And now from ashes comes the sun
Lightning paths I'd never seen

Slightly drunk from sleepless dreams
Worlds unfold beneath my feet
All my women turned to smoke
Burnt from heartless purple glass

Tired of opaque loving eyes
I catch the glimpse of real stares
Looking through in curious glances
To find in me my truths and dares

But just as I approach the ground
A last sad joke remains unknit
Somehow testing my suspicion
That there is not an answer fit

Is this just one more shade of purple
Built from hope on lifeless glass?

;

In times of choice as tight as these
Choose it once for no return

Let it burn as hence I've learnt
Or call this vase the one to save?

11/03/2011

Silvered Lady Moon

It's always night when she appears
Who is this silvered lady moon?
It's a good night, but she's crying
as something hopes she cried for me

;

I'm all alone,
no sword in hand

From where I come
a foe's
a friend

;

Would I dare hope these tears for me?
Stronger men have surely failed

Am I enough to cross this ocean?
Wiser ones might promptly flee

I never could
with the simplest maze of masks
So who am I
against her doorless house of mirrors?

;

I hope we can
I hope we will

I hope we find a way to be
some more than
two
more
people
[try] [cry] [lie]
ing


Where would her secrets
lead this clown
Who's never finished a single path?


I hope and dream, but cannot see
why should I
stay
put, and
just
wait

How should this jester
steal the crown
before she's
face
to
fac
e
with death
?
.
.
.

As paralyzed I watch her tears
My melting fears release my feet
Her sightless eyes stare through my shadows
Just one more step and she might see

10/03/2011

Missed you once

What you thinkn'
How you feel
Thought i'd stop
by, to say
hi.

Fire's been
lit,
but heats
only
the walls and carpets,

As't smokes the room,
in foreign accents;

Smelled like
bad things,
sad ones
really.

~

Going now,
's no one home
Missed you,
once. but
n'all seem's
gone.

28/02/2011

Fraco

Se sentimos a ânsia de seguir em frente
Mas já não sabemos
pra que lado caminha a corrente

Se ao redor todos são firmes,
e sós, nos sentimos fracos


Se nos é cobrado que tomemos posição
Mas não se faz clara
nem a pergunta em questão

vazios de pés e de mãos,
tímidos retratos da indefinição


Se sozinhos nos perdemos
a cobrarmos de nós mesmos
mais uma falsa solução

dispersos num tom fosco,
com o qual eles mesmos nos pintaram
a tentar justificar a pequenês de seus intentos


,

Que se lembre então a eles
desse caos ao qual nos trouxe
O mundo aqui perpetuado

Do amor que se acabou-se
Do indivíduo endividado

;

Somos uma raça de gigantes enganados
Verdadeiros semi-deuses pós-modernos
Feitos fracos por espelhos deturpados
e incontáveis ilusões de semi-ótica

Ainda se entre poucos,
de nós mesmos discordarmos,

que o façamos à exaustão

até que do cansaço inabalável
possa sair alguma luz,
alguma fresta de luz comum,
de trás das portas
que entre nós
se quedam
fechadas


.

12/12/2010

Psicodrama

Sentado do meu lado da ponte
Já uns tantos metros acima do chão
Da areia segura,
das praias de mim

Sentado,
aqui desse lado,
vislumbro estas sombras do mundo

Pra trás,
deixo os que me aceitaram
Que se deram na vida,
aos meus olhos cansados

E a esses,
queria deixar algum pedido de perdão

Só os soube trazer comigo
em idéias,
e no ensaio da minha revolução

;

Preciso deixar,
novamente,
estas terras de minha ilusão

Dar adeus a esses meus personagens
Pra tentar encontar,
finalmente,
as pessoas por trás das miragens

30/11/2010

Raíz em desuso, Sandália esquecida na areia da praia

E a força do golpe
que um dia fez quebrar
a dura casca da semente?

Ou será foi a casca
que o quis de tal maneira,
julgando, a seu modo,
ser chegada então a hora?

E a hora de agora,
não chega?
Não?

Ou será que já soa o alarme?
Que é o velho relógio a tocar?
Há quanto tempo já soa inaudito,
a quem mesmo tentando acordar?

Mais 5 minutos,
mais 5 minutos,
Me deixa voltar a sonhar