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22/11/2011

The "Great Fool" of the Celts (Dalua) - Aleister Crowley in The Book of Toth

This is a considerable advance on those purely naturalistic phenomena above described; in the Great Fool is a definite doctrine. The world is always looking for a saviour, and the doctrine in question is philosophically more than a doctrine; it is a plain fact. Salvation, whatever salvation may mean, is not to be obtained on any reasonable terms. Reason is an impasse, reason is damnation; only madness, divine madness, offers an issue. The law of the Lord Chancelor will not serve; the law-giver may be an epileptic camel-driver like Mohammed, a megalomaniac provincial upstart like Napoleon, or even an exile, three-parts learned, one-part crazy, an attic-dweller in Soho, like Karl Marx. There is only one thing in common among such persons; they are all mad, that is, inspired. Nearly all primitive people posses this tradition, at least in a diluted form. They respect the wandering lunatic, for it may be that he is the messenger of the Most High. "This queer stranger? Let us entreat him kindly. It may be that we entertain an angel unawares."

19/11/2010

Fragmento de uma Fábula Chinesa, Augusto Boal, em "Jogos para Atores e Não-Atores"

"A primeira sensação mais clara que o menino teve foi ouvir. Lig-lig-lé era estimulado concretamente pelo ouvido. Entendia perfeitamente bem certos ritmos contínuos, alguns sons periódicos, e alguns barulhos aleatórios. Os batimentos cardíacos de sua mãe e os do seu próprio coração eram ritmos contínuos, ritmos de base, que o guiavam e lhe davam suporte para integrar todos os outros sons e ruídos, assim como numa orquestra, o ritmo é essencial. Ele escutava seu sangue e o de sua mãe, correndo em suas veias como uma música melodiosa - é tão importante a melodia; escutava os ruídos gástricos e algumas vozes vindas do exterior - são inevitáveis. Suas primeiras sensações foram acústicas. E ele era capaz de organizar os sons, orquestrá-los.

A música é a mais arcaica das artes, a mais profundamente enraizada em nós, porque começa quando ainda estamos no útero de nossas mães. Ela nos ajuda a organizar o mundo, embora não nos faça entendê-lo. É uma arte pré-humana, criada antes do nascimento."

09/11/2010

Decio de Almeida Prado em "O Teatro e o Modernismo"

"A burguesia, a corrupção burguesa, por estranho que pareça, era o seu elemento, o único que lhe permitia utilizar artisticamente sua corrosividade crítica, o seu humor de fundo negativista e anárquico. Podemos imaginar outros modernistas deslocados para épocas ou escolas literárias diversas. (...) Oswald, não: só funciona efetivamente em consonância com os momentos mais decisivos, mais agudos, do modernismo. Sempre que procurou escrever como os outros, ajuizadamente, artesanalmente, não ultrapassou a mediocridade. Foi destruindo que construiu as suas obras mais significativas, dentro e fora do teatro."

20/10/2010

Borges, em "A Muralha e os Livros"

"A música, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, certos crepúsculos e certos lugares querem nos dizer algo, ou algo disseram que não deveríamos ter perdido, ou estão a ponto de dizer algo; essa iminência de uma revelação que não se produz é, quem sabe, o fato estético."

07/10/2010

Augusto Boal, em "Jogos para Atores e Não-Atores"

"Mas não seria maravilhoso ver um espetáculo de dança onde os dançarinos dançassem o primeiro ato, e no segundo mostrassem aos espectadores como dançar? Não seria maravilhoso um espetáculo musical onde os atores cantassem na primeira parte, e na segunda cantássemos todos?

Igualmente maravilhoso seria um espetáculo teatral onde no primeiro ato os artistas nos mostrassem sua visão do mundo, e no segundo a platéia pudesse inventar um mundo novo.

Eu penso que é assim como os mágicos devem ser: primeiro, fazem sua mágica, encantando a todos com sua arte; depois, nos ensinam seus truques. Ensinar é um segundo prazer estético! É assim que devem ser os artistas criadores, eles devem também ensinar o público a criar, a fazer arte, para que possamos usar esta arte, que é de todos, em conjunto."

13/06/2010

The Tempest - William Shakespeare

Our revels now are ended. These our actors,
As I foretold you, were all spirits and
Are melted into air, into thin air:
And, like the baseless fabric of this vision,
The cloud-capp'd towers, the gorgeous palaces,
The solemn temples, the great globe itself,
Yea, all which it inherit, shall dissolve
And, like this insubstantial pageant faded,
Leave not a rack behind. We are such stuff
As dreams are made on, and our little life
Is rounded with a sleep

16/06/2009

Fragmento - "Facts in the case of the Departure of Miss Finch" de Neil Gaiman

And part of me - the writer part of me, the bit that has noted the particular way the light hit the broken glass in the puddle of blood even as I staggered out from a car crash, and has observed in exquisite detail the way that my heart was broken, or did not break, in moments of real, profound, personal tragedy - it was that part of me that thought, (...)

Tradução:

E parte de mim - a minha "parte-escritor", que notou o efeito peculiar da luz sobre o vidro quebrado numa poça de sangue mesmo enquanto eu saía de um acidente de carro, e observou com detalhes precisos a maneira que meu coração se partiu, ou deixou de partir, em momentos de profunda tragédia pessoal - foi essa parte de mim que pensou, (...)

"Borges e Eu" de Jorge Luís Borges

Ao outro, a Borges, é que sucedem as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e me demoro, talvez já mecanicamente, para olhar o arco de um saguão e o portão gradeado; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo seu nome numa lista tríplice de professores ou num dicionário biográfico. Agradam-me os relógios de areia, os mapas, a tipografia do século XVIII, as etimologias, o gosto do café e a prosa de Stevenson; o outro compartilha essas preferências, mas de um modo vaidoso que as transforma em atributos de um autor. Seria exagerado afirmar que nossa relação é hostil; eu vivo, eu me deixo viver, para que Borges possa tramar sua literatura, e essa literatura me justifica. Não me custa nada confessar que alcançou certas páginas válidas, mas essas páginas não podem me salvar, talvez porque o bom já não seja de ninguém, nem mesmo do outro, mas da linguagem e da tradição. Além disso, estou destinado a perder-me, definitivamente, e só algum instante de mim poderá sobreviver no outro. Pouco a pouco lhe vou cedendo tudo, embora conheça seu perverso costume de falsear e magnificar. Spinoza entendeu que todas as coisas querem preservar em seu ser; a pedra eternamente quer ser pedra e o tigre um tigre. Eu permanecerei em Borges, não em mim (se é que sou alguém), mas me reconheço menos em seus livros do que em muitos outros, ou do que no laborioso rasqueado de uma viola. Há alguns anos tentei livrar-me dele e passei das mitologias do arrebalde aos jogos com o tempo e com o infinito, mas esses jogos agora são de Borges e terei de imaginar outras coisas. Assim minha vida é uma fuga e tudo eu perco e tudo é do esquecimento, ou do outro.
Não sei qual dos dois escreve esta página.