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26/03/2010

Macacos Curiosos de Caras Brancas


Esse eu pintei no ano passado, depois de desistir da física. Pintei no rio, na mesma viagem desse post. A imagem foi tirada de um livro que tem na casa da minha bisavó, acho que sobre a amazônia. O título dela era "Macacos Curiosos de Caras Brancas". Na época ele não me satisfez, e na verdade considerava-o inacabado, porque no meio voltei pra São Paulo. Quando o vi de novo achei que, mesmo que não estivesse terminado, eu não ia voltar nele, ou pelo menos não tão cedo. Hoje é uma das coisas que eu fiz que mais me agradam.

Perguntei pro meu irmão se ele gostava do quadro, e desse outro também, e se queria que pendurasse no quarto dele. Ele disse que sim. Quando perguntei o que ele via nesse ele não respondeu. Depois de uma breve mudança de assunto, numa outra pausa, perguntei de novo. Ele disse que via um moço. "Que moço?" "O moço do livro." O quadro tem um tamanho que pode até se passar por um livro grande, ainda assim achei curiosa essa resposta.

A segunda tentativa



Esse foi no terceiro ano. Diferente do primeiro, esse eu fiz o contrário, tive uma idéia e resolvi tentar concretizá-la. De novo, na época o resultado não me agradou. Curiosamente foi pintado no mesmo ano que nasceu meu irmão, e tá pendurado no quarto dele desde então. Hoje eu até que gosto bastante dele. Aliás foi a primeira vez na vida que eu notei que desenhar mãos talvez não fosse tão impossível quanto eu imaginava.

Meu primeiro quadro


Essa semana passei no Hugo Sarmento, escola que estudei da quinta série até o fim do ensino médio. Todos os professores da minha época saíram, com excessão da Tania, professora de artes. Desde aquele tempo, quando eu prestava meu primeiro vestibular, pra Ciências da Computação, ela dizia que eu tinha que fazer artes plásticas. Não sei quanto à faculdade em si, mas na idéia geral parece ela tava mais perto de mim que eu mesmo.

Odiei esse quadro quando pintei, no segundo ano. A gente tinha que ecolher o tamanho da tela que íamos pintar, e eu só sabia que queria uma bem grande. Eu nunca tinha pintado nada direito, não tinha nenhum projeto, mas queria uma tela grande. Saiu isso, eu me decepcionei, e meio que ignorei ele. Quando fui lá a Tania me apontou ele atrás de um monte de outros quadros, e eu peguei pra ver. Contei que não gostei dele na época e ela disse duas coisas interessantes. Uma foi que ela adorou, e que pendurou na sala dos professores, aonde ele ficou por dois anos.

A outra foi, "você tinha 15 anos, quer o quê?". De fato, foi o meu primeiro quadro. O que é que eu esperava? Hoje ele me parece muito mais interessante. Talvez porque já nem sinta que fui eu que fiz. Foi aquele eu do segundo ano, que agora é só uma fração desse amontoado de outros eus que me formam. É como se fosse uma consolidação de mim naquele momento vago do passado. Quase um objeto de estudo, de auto-análise.

Esteticamente acho ele bem duvidoso, mas eu deixei de julgar meus próprios trabalhos. Eles simplesmente são.